O poder dos animais no cuidado compartilhado

É importante que os pais acostumem os filhos ao convívio com animais desde os primeiros meses de vida, pois assim eles aprenderão, de forma natural e sem esforço a observar os movimentos, a decodificar a linguagem do corpo de seu pet e assim compreenderão melhor o comportamento das pessoas. Dessa maneira também desenvolvem o sentido de empatia.

Estudos revelam que, além do desenvolvimento cognitivo, o relacionamento com animais pode elevar o QI. Ao interagir com os pets, a criança desenvolve-se através das próprias experiências com o mundo físico e social, o que nenhum brinquedo de pelúcia ou plástico, programa de TV ou vídeo games é capaz.

Além do estímulo sensorial, o animal de estimação transmite uma sensação de segurança (muitas vezes dá segurança!) e gera confiança numa relação de amor incondicional.  

Em momentos de tensão emocional, crianças buscam refúgio em seus pets, que percebem sutilezas os ambientes e no humor das pessoas. Eles, ao acolhê-las adequadamente ao momento, promovem a autoestima, acalmam e diminuem a solidão.

Ao se encarregar dos cuidados de seu pet, a criança aprende espontaneamente a noção de responsabilidade e as consequências de seus atos. Percebe que, quando não atende às necessidades do companheiro, ele sofre.

Cabe aos pais darem as orientações dos limites permissíveis à criança e ao animal. As linhas claras de autoridade são fundamentais para ambos suportarem as frustrações importantes ao crescimento emocional desenvolvendo a resiliência de todos.

A saúde dos humanos

Além de bons mestres, animais também são terapêuticos. Pesquisas mostram que um simples afago é tranquilizante, pois baixa a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de estabilizar a respiração. Pessoas que estão internadas para tratamento de saúde ou em casas para idosos longe de suas referências familiares, se beneficiam da presença de um pet, seja ele um cão, um gato, um coelho ou até uma ave, mesmo que não seja seu.

Além de cachorros que previnem crises de diabetes ou de epilepsia, existem os cães-guia para cegos, surdos e portadores de Mal de Parkinson. Há aqueles que são usados em serviços psiquiátricos, treinados para serem acompanhantes de pessoas com transtorno de ansiedade. Os animais alertam para a iminência de surtos, já que tais pessoas podem até perder a capacidade de reconhecer seu próprio estado mental.

Matéria é energia, pessoas são energia, assim como os bichos. Só que eles têm a capacidade de decodificar muito mais do que mudanças no equilíbrio de nossas energias e agem instintiva e imediatamente para ajudar seu dono. E são certeiros em seus diagnósticos.

Na Europa, Estados Unidos, Canadá e agora também no Brasil, cachorros sociáveis e bem-educados são levados para locais de trabalho – escritórios ou empresas – onde sua mera presença eleva a produtividade, pois diminui o estresse, alivia a tensão e a ansiedade dos trabalhadores. Isso porque cria no ambiente uma atmosfera familiar de casa, pois facilitam a interação e a convivência entre todos.

A linguagem dos animais

O animal, seja qual for sua espécie, transmite a linguagem da alma, intui o que está acontecendo, ensina como experimentar emoções e como deixar que elas passem, sem negá-las ou controlá-las. Não julga, mas consegue nos orientar. E mesmo o não treinado para ser guia ou terapeuta consegue captar nossos desconfortos e mazelas, e ajuda a nos proteger.

Os animais não são aparelhos utilitários que, se não servem mais, devem ser descartados. Também não são sacos de pancadas, onde descarregamos nossas frustrações. São seres com sentimento, inteligência e, segundo o físico Stephen Hawking e outros cientistas, possuem consciência. E merecem nosso afeto e respeito.

Quando a situação é inversa e o bichinho está velho ou doente, necessitando o cuidado humano, ele nos induz, devido à sua fragilidade impotente, a achar o melhor que temos dentro de nós para que possamos ampará-lo com paciência e dedicação. Depois, ele demonstra sua gratidão e retribui com seu carinho.

(*) Leitura recomendada

O poder curativo dos bichos, de Dr. Marty Becker com Danelle Morton, editora Bertrand Brasil. O livro apresenta histórias divertidas e comoventes.

Renata Tschiedel é jornalista, colaborou e integrou o Conselho Editorial da revista O Cuidador.  

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Marilice Costi é escritora, poeta, contista. Especialista em Arteterapia e Capacitada em Neuropsicologia da Arte, é graduada em Arquitetura e mestre em Arquitetura pela UFRGS. Publicações: livros e artigos. Foi editora da revista O Cuidador.
 
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