Imagem feita pelo Copilot

Quando lecionei Avaliação Pós-Ocupação na Faculdade de Arquitetura, eu observava muito o comportamento dos alunos. Nas primeiras aulas, eu aplicava exercícios (eram muitas aulas!) e os introduzia na matéria. Com isso, conhecia-os quanto à cognição, percepção, escrita, comportamento, comunicação, conhecimento (e assiduidade). Eles recebiam uma nota por aula.

No decorrer das aulas, ensinei-os a construir questionários, aplicá-los, tabulá-los no excel e gerar gráficos para interpretá-los e tirarem suas conclusões. Também coletávamos dados com equipamentos (luxímetro, medidor de temperatura de superfície, etc). Em seminários, eles desenvolviam a capacidade de argumentação e apresentavam seus questionamentos. Reconhecer as necessidades humanas e o nível de satisfação dos usuários de ambientes construídos ampliam o repertório para executarem bons projetos.

Com a minuta da NBR 9050 (a norma ainda não fora aprovada), eu os inseri nas questões da acessibilidade. Aluguei cadeiras de rodas para testarem as calçadas, trazia pessoas com deficiências e conversávamos em uma roda sobre as dificuldades ambientais urbanas e em interiores.

Planejei aulas para demonstrar como o ambiente interfere nas pessoas, e como os sentidos (são mais de cinco!) podem dificultar locomoção, orientabilidade e acessibilidade. A singularidade das pessoas e suas necessidades nos ambientes precisa ser de conhecimento dos arquitetos. Como sou mãe atípica, lhes ensinei também questões ambientais referentes a essas pessoas esquecidas e invisíveis à sociedade.

O olhar de quem pesquisa

Um projeto de arquitetura implica na qualidade de vida das pessoas. É preciso que se solucionem problemas e não que criemos mais. Um bom projeto evita despesas futuras, gera mais saúde e bem-estar aos seus usuários. Para avaliar um ambiente, é preciso sair do lugar comum (por isso a imagem deste post (IA – Copilot).

Pesquisar é querer ver além, é desejar descobrir o que está escondido e a compreender os fatos pesquisando em fontes seguras. E além dos livros, vivenciar e adquirir experiência prática.

Percepção, trabalho e consequências

Enfrentei diversos problemas e aprendi muito. Era evidente a diferença de comportamento entre alunas e alunos. Problemas de saúde interferiam em seu desempenho. A pressão dos pais, o sofrimento com divórcio. Também foi um momento de quebra de paradigma na docência e eu lutava para me manter atualizada. Eu chegava um carrinho, passava pela biblioteca e retirava muitos livros – eu era um rato de biblioteca! E estudava muito em casa. Meu filho era adolescente e se queixava da mãe que precisava ficar trabalhando nos fins de semana.

Gratidão

Meu objetivo foi lhes ensinar a observar, formular hipóteses, analisar sob diversos ângulos e vivenciar os ambientes de outra forma, para compreender as diferenças entre as pessoas e descobrir, nos detalhes, os sinais de uso dos espaços — qualificando seu trabalho futuro.

Sou muito grata por tê-los conhecido, por perceber seu desenvolvimento e reconhecer seus potenciais. Ambientes importam para as pessoas, para todas as pessoas, independentemente de raça, cor, religião, renda, credo, opinião. A cidade é para todos.

Pesquise mais

“Sala de aula, arquitetura, corpo e aprendizagem”, de minha autoria, foi publicado em:

  1. Sob a Espada de Dâmocles, livro coletivo da Fundação ECARTA
  2. Jornal do SINPRO – Sindicato dos Professores do RS
  3. Vitruvius,com.br Sala de aula, arquitetura, corpo e aprendizagem 

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Marilice Costi é escritora, poeta, contista. Especialista em Arteterapia e Capacitada em Neuropsicologia da Arte, é graduada em Arquitetura e mestre em Arquitetura pela UFRGS. Publicações: livros e artigos. Foi editora da revista O Cuidador.
 
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