Quando Elas Avançam, a Sociedade Inteira Avança!

A criação do Dia Internacional da Mulher está ligada às mobilizações de trabalhadoras e ao movimento socialista no início do século XX — não surgiu por causa da morte de 130 operárias carbonizadas em um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911. Veja abaixo um breve histórico:

Breve histórico

  • 1909, o Partido Socialista da América organizou o Dia das Mulheres em Nova York, em 20 de fevereiro, como jornada de luta por direitos civis e voto feminino.
  • 1910, na Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhague, Clara Zetkin propôs a criação de um dia internacional anual dedicado à luta das mulheres — sem definir uma data específica.
  • 1911, a data passou a ser celebrada na Alemanha, na Dinamarca, na Suíça e no Império Austro‑Húngaro.

O Dia Internacional da Mulher se consolidou após as manifestações de mulheres russas em 8 de março de 1917 que desencadearam eventos decisivos da Revolução Russa. E a data foi adotada pelos movimentos socialistas e países do bloco soviético a partir de 1921. A ONU oficializou o 8 de março como Dia Internacional da Mulher em 1975, durante o Ano Internacional da Mulher.

No Brasil

As mulheres brasileiras conquistaram o direito ao voto em 1932, e somente a partir daí começaram a romper, de forma institucional, as barreiras que as impediam de participar plenamente da vida pública. Nas décadas seguintes, especialmente a partir dos anos 40 e 50, ampliou-se o acesso ao trabalho remunerado e, gradualmente, às universidades — embora a igualdade de condições estivesse longe de ser realidade.

Hoje, apesar desses avanços, vivemos um cenário em que a sobrecarga é regra: jornadas múltiplas, acúmulo de responsabilidades domésticas e profissionais, desvalorização do trabalho feminino e um ambiente de competitividade que adoece. Não por acaso, os consultórios estão cheios de pessoas enfrentando problemas de saúde mental decorrentes desse desequilíbrio.

Ainda assim, discute-se a adoção de escalas 6 x 1, que aprofundam a desorganização da vida familiar, fragilizam vínculos afetivos e reduzem drasticamente o tempo de convivência. É uma contradição grave: cobra-se produtividade, mas ignora-se o impacto humano e social dessas escolhas.

A história mostra que cada direito conquistado exigiu luta e que, não se pode baixar a guarda na direção da proteção dos direitos humanos.

NOTA: As conquistas femininas não diminuem o papel dos homens — seu papel precisa ser recomposto.
Os homens não perdem valor quando as mulheres ganham direitos; eles ganham a chance de viver relações mais livres, afetivas e equilibradas.
Uma sociedade só avança quando homens e mulheres caminham juntos, com direitos iguais e responsabilidades compartilhadas.

Dicas de filmes sobre o tema das lutas femininas

  • Chão de Fábrica (2022): Curta-metragem brasileiro que retrata o cotidiano e a resistência de mulheres metalúrgicas no ABC paulista durante os anos 70. (Youtube)
  • Norma Rae (1979): Mostra uma operária têxtil que se envolve na sindicalização de sua fábrica sob condições precárias de trabalho. (Prime)
  • Triangle Fire (Documentário PBS): Embora seja um documentário, é a obra visual mais fiel sobre o incêndio real de 1911 que fundamenta a luta operária feminina celebrada em março. (Prime)

Comente abaixo algum momento histórico de sua família sobre a luta feminina.

Gostou? Compartilhe:

Marilice Costi é escritora, poeta, contista. Especialista em Arteterapia e Capacitada em Neuropsicologia da Arte, é graduada em Arquitetura e mestre em Arquitetura pela UFRGS. Publicações: livros e artigos. Foi editora da revista O Cuidador.
 
Nos COMENTÁRIOS abaixo, deixe sua opinião. Lembre-se de enviar a outros pais, professores e outros cuidadores. Agradeço.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conteúdo Relacionado