Papai, com os olhos de prata inchados de cansaço e o rosto coberto de pelos de barba, fechou o livro e aguardou suas sobras de sono. (…) Era uma menina com uma montanha para escalar. (…) Até a música do papai tinha sido da cor da escuridão.
O valor das palavras
O filme A Menina Que Roubava Livros apresenta a trajetória de Liesel, uma menina adotada por um casal alemão durante o regime nazista. Embora o casal esperasse um menino, é o pai adotivo, Hans Hubermann, quem acolhe Liesel com ternura e a introduz ao universo da leitura. É ele quem a ensina a decifrar palavras e quem lê para ela antes de dormir, transformando os livros em um refúgio diante da brutalidade da guerra.
A narrativa se constrói justamente a partir do poder da literatura. Em meio ao medo, à censura e à violência do nazismo, os livros tornam-se para Liesel uma forma de resistência silenciosa. Cada obra roubada, cada página lida e cada história compartilhada reforçam seu desenvolvimento cognitivo, sua consciência crítica e sua compreensão do mundo.
A literatura, no filme, é sobrevivência e coragem: a possibilidade de manter viva a humanidade quando tudo ao redor tenta destruí-la.
O filme evidencia o cuidado e a solidariedade de Liesel e de seus pais adotivos ao acolherem Max, um jovem judeu perseguido pelo regime. Eles o escondem no porão, arriscando suas próprias vidas para protegê-lo. A relação entre Liesel e Max se fortalece justamente por meio das palavras: ela lê para ele, escreve histórias para animá-lo e descobre, através dessa amizade, que a linguagem pode curar, unir e dar esperança mesmo nos momentos mais sombrios.
A Menina Que Roubava Livros destaca o papel transformador da literatura e mostra como as palavras podem ser abrigo, resistência e luz em tempos de escuridão.
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Marilice Costi




















