Luto, visto-me de negro.
Estou atada. Enlutada.
Tento desmanchar o nó na garganta com leituras, imagens, palavras.
Procuro-me entre frases roubadas, orações desaparecidas
meu vocabulário se perde entre fakes e insanidades
o mundo desaparece no olho do furacão?
Quantas vidas ainda sumirão?
Já são quinhentos mil!
Há covid? E daí? Não sou coveiro!
BRASIL, olha a tua cara!
Cloroquina, testes com humanos, crimes.
Há impotência, prisão
No lar, a contenção
Câmaras de gás?
Mortes anunciadas
vidas na corda bamba
a gripezinha
os rostos sem máscara
a negação
a vacina
famílias interrompidas
na terra plana e plena de fome
de alimento e justiça
Cuidado! Mentiras compõem o medo!
Não solte a minha mão!
Segure minha mão
e meu choro
Acolha o meu desespero
Não há abraço que me console
Me acolhe
No diário de mortos,
há velórios sem ais
Covas são rasas
são demais
Atada. Enlutada. Eu luto.
Vamos juntos e somos dois!
Façamos uma ciranda e seremos muitos!
Mascarados, não soltemos as mãos.
A granada de Espanha é Guernica nacional
e meu coração tropical sofre do mesmo mal.
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DA HISTÓRIA_______________________
2021, junho - BRASIL
mais de 500 mil mortos na pandemia!
1945 - II Guerra Mundial
JAPÃO - 140 mil da população de 350 mil habitantes de Hiroshima mortos na explosão.
ALEMANHA - Cerca de 1,1 milhão de pessoas foram mortas, 90% judeus. Auschwitz-Birkenau, foi o maior assassinato em massa da história da humanidade.
Uma resposta
Linda REFLEXÃO, MariLice! Ainda bem que temos a arte para nos reconectar com afetos de alegria e esperança. Teu poema desabafo nos inspira nesta reconexão! Obrigada! Bj