Dia do autismo

Quando meu filho era pequeno, não havia inclusão conforme os direitos existentes atualmente. Alguns profissionais sabiam de raras escolas onde certos professores aceitavam crianças atípicas. O Serviço de Orientação Educacional oferecia suporte à criança quando solicitado pela professora. Esse acolhimento dado pelo SOE, reduzia o estresse de meu filho e, é claro, o da professora.

A inclusão, na escola e o reforço em casa

Meu filho não tinha diagnóstico autista, não havia clareza. O diagnóstico era de várias coisas, entre elas, deficiência e transtornos. Ele não conseguia acompanhar o ritmo escolar. Muitas vezes fui buscá-lo no SOE. Essas preciosas professoras o ajudavam a compreender o que acontecia na sala e o apoiavam reforçando os conteúdos, ou o acalmavam.

Em casa, eu retomava todos os conteúdos novamente. Hoje, olho para trás com a certeza do dever cumprido, apesar das dificuldades, momentos depressivos familiares e dificuldades no meu trabalho.

Foi com muito empenho que ele conseguiu terminar o primeiro grau. E tive a certeza que nosso empenho nessa direção se esgotara. Eu abrira processo judicial contra uns adolescentes que se aproveitaram de sua ingenuidade e estava cansada de correr atrás dos abusos que os “colegas” cometiam. Também o sofrimento que ele tinha quando nos aniversários nenhum amigo comparecia.

A palavra inclusão passou a fazer parte da educação bom tempo depois. Na década de 80-90 e o que mais me agoniava era o quanto ele era rejeitado, o quanto sofria bullying e nem percebia. Protegê-lo dos lobos sociais era tarefa familiar permanente e o medo me cercava a cada vez que ele saia de casa, o que fazia por impulso e desaparecia na cidade até anoitecer.

Os pais, o valor humano e a resistência na jornada

Sempre que o dia do autismo se aproxima, lembro-me de nosso movimento familiar. Relatei essa história no livro Como controlar os lobos? e recordo do dia que o escrevi e o quanto isso foi importante para mim.

Lembro sempre dos pais. São tantos que iniciam essa jornada e são muitos que envelheceram no cuidado. Desejo que permaneçam firmes e quero lhes dar esperança. Hoje, há muitos recursos. Muitos mais que no século passado. Os profissionais são mais preparados, o direito ao LOAS que auxilia nas despesas, a inclusão escolar possibilitando socialização. Imagino que, atualmente, é mais fácil dar conta. Os pais cansam muito no cuidado com os filhos, com filhos que não são atípicos, mas possuem demandas que tiram o sono.

Como dizia minha mãe, tudo passa! Vá descansar, minha filha. Uma noite de sono é alimento! O dia seguinte pode trazer o sol.

No dia 02 de abril, envio o meu abraçar a esses pais e mães, com muito carinho, desejando que se cuidem também, que dediquem seu tempo em vínculos de afeto. São eles que nos dão suporte para seguir.

O Dia do Autismo é um dia também para reforçar os vínculos sociais, mostrar para a sociedade que ao lado dessas crianças existem pessoas muito importantes e de muito valor, mas que também precisam de cuidados: os seus familiares.

Meu grande abraço a todos vocês!

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Participem dos eventos em suas cidades. Em Porto Alegre/RS, o evento ocorrerá no próximo domingo, no Parque Farroupilha, conforme informação do Instituto Autismo & Vida.

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Marilice Costi é escritora, poeta, contista. Especialista em Arteterapia e Capacitada em Neuropsicologia da Arte, é graduada em Arquitetura e mestre em Arquitetura pela UFRGS. Publicações: livros e artigos. Foi editora da revista O Cuidador.
 
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