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A EXAUSTÃO do cuidador familiar

  • Marilice Costi
  • março 20, 2023
  • Dicas
  • 2 comentários
Direito autoral de imagem: Marilice Costi

Há famílias que cuidam de seus idosos distribuindo democraticamente as tarefas. Outras não dividem nada e deixam todo o trabalho para um deles. O idoso sofre pelo abandono e percebe o esgotamento em quem o cuida.

Sem férias nem remuneração para seu trabalho, responsável 24 horas por dia pelo idoso, sua vida se define na responsabilidade em adquirir e ministrar medicamentos, roupas e sua higiene, alimentos especiais em horas padronizadas, banho, lazer, os esforços físicos resultantes desse cuidado, a solidão e o medo do próprio futuro, o peso da responsabilidade, os compromissos que se avolumam. Há que se entender que a casa do cuidador não é mais a mesma (1), a geladeira não tem mais o seu controle, não há mais privacidade, as contas lhe assustam…

Ao sentir vontade de se livrar do cuidado, há culpa e não alívio, que se amplia quando o idoso vier a falecer. São sentimentos ambíguos que vão se instalando e fazendo mal a quem cuida. Saber que o tempo do cuidador não volta gera desânimo e tristeza, constrói seu esgotamento abrindo portas para a depressão.

Não só o cuidador contratado deve descansar e ter direitos assegurados, tais como descanso, férias… A lei determina que o contratante dê folga ao cuidador contratado após um limite máximo de horas de atendimento, ao cuidador familiar nada?

Caso 1

  • Um idoso pediu ao irmão que o visitava conseguisse um asilo para ele, não queria mais atrapalhar a família. “Não podem mais me cuidar, estão cansados” – dissera-lhe. Sentia-se perdido, frágil, inseguro. Sente-se preso a quem não quer mais cuidá-lo… Acredita que exige demais.

O idoso com capacidade cognitiva preservada e perde o direito de decidir sobre sua vida deprime. Há doenças que exigem interdição. Pode acontecer será maior a sua fragilidade e é causa de sofrimento.

Caso 2

  • Um cuidador contratado cuidava do idoso há muitos anos. O idoso gostava, pois era respeitosa, parceira das cartas, conversava com ele, preparava seus alimentos com carinho, era quase da família.
  • Mas, certa madrugada, o familiar ouviu gritos do cuidador com o idoso, seu pai. “Pare de sair da cama, dizia, vá dormir. Se o senhor não dormir, irei-me embora.”
  • O pai gostava tanto do cuidador que o atendia há muitos anos, que não comentou nada com o filho.

Marcamos para conversar. Se não desse importância ao fato, tornar-se-ia cúmplice de um crime contra o idoso.

Há quanto tempo aquele cuidador não tirava férias? Faz outros plantões? Anda cansado? Doente? É arrimo de família? É o caso de uma avaliação médica? Fazer com que perceba seu próprio cansaço e se colocar disponível para lhe ouvir e orientar, mostrar que há limite para seu comportamento.

A importância do diálogo

É fundamental fazer uma reunião com os familiares. O cuidador deverá lhes falar de seu esgotamento (atestado de seu médico para reforçar), de seus sentimentos e como é importante dividir as atividades para que possa também se cuidar.

É importante sensibilizá-los e, em último caso, solicitar que um advogado ou o médico de família para esclarecer sobre o Estatuto do Idoso (2) e quais são as responsabilidades familiares.

Caso não consigam dialogar, um amigo, um padre ou outro familiar respeitado pelo grupo pode auxiliar. São muitos os sentimentos em jogo, há uma trama de vidas interligadas, é uma constelação familiar.

É importante tomar as decisões amigavelmente sem prejudicar o idoso e o cuidador, pois o excesso de trabalho adoece muito, podendo amplificar o problema familiar.

O cuidador também tem direitos

O cuidador familiar também tem direitos. Ao se sentir apoiado, ao retomar aos seus sonhos, os possíveis, a qualidade de vida de todos será melhor. ______________________________

REFERÊNCIAS

(1) Arquitetura OC, Tempo de Vida e Lugar. Porto Alegre: Sana Arte, ed. 5, 2009. Revista O Cuidador. Encontre pdf neste link

(2) Estatuto do Idoso

___________________________

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  • Tags: Autocuidado, cuidador, cuidador familiar, diálogo, direitos, exaustão, família, familiares cuidadores

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Marilice Costi é escritora, poeta, contista. Especialista em Arteterapia e Capacitada em Neuropsicologia da Arte, é graduada em Arquitetura e mestre em Arquitetura pela UFRGS. Publicações: livros e artigos. Foi editora da revista O Cuidador.
 
Nos COMENTÁRIOS abaixo, deixe sua opinião. Lembre-se de enviar a outros pais, professores e outros cuidadores. Agradeço.

Respostas de 2

  1. Maria Aparecida S disse:
    11 de fevereiro de 2025 às 10:07

    Olá, Marilice.
    Li o teu texto e quase morri chorando.
    Estavas pensando em mim.
    Descreveste a situação que estou vivendo.
    Tenho dois irmãos que não querem saber de nada.
    Se não fosse meu marido, acho que eu já teria morrido.
    Infelizmente é assim.
    Parabéns pelo texto.
    At.

    Responder
  2. Mara Evanisa Weinreb disse:
    1 de junho de 2023 às 00:09

    Excelente. Parabéns pelas reflexões.

    Responder

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