É possível conviver com uma pessoa com traços psicopáticos, mas essa convivência costuma ser emocionalmente desgastante e exige atenção. A psicopatia é entendida pela ciência como um transtorno de personalidade caracterizado por padrões persistentes de funcionamento emocional e interpessoal, como:
- redução da empatia
- ausência de culpa ou remorso
- manipulação instrumental
- mentira recorrente
- frieza afetiva
- impulsividade e busca de estímulos
Esses traços não impedem que o indivíduo funcione socialmente. Muitos psicopatas — especialmente os chamados psicopatas funcionais — podem ser socialmente habilidosos, carismáticos e capazes de imitar emoções, o que facilita a convivência em famílias, relacionamentos e ambientes de trabalho.
No entanto, convivência não significa relação saudável. Como essas pessoas não estabelecem vínculos afetivos profundos, tendem a se relacionar de forma instrumental, buscando vantagens pessoais. Com o tempo, é comum que quem convive com elas experimente:
- desgaste emocional
- confusão e ambivalência
- sensação de culpa ou inadequação
- perda de limites pessoais
A convivência se torna menos prejudicial quando há:
- limites firmes e consistentes
- distância emocional
- baixa dependência afetiva
- consciência dos padrões manipulativos
Em resumo: conviver é possível, mas raramente é seguro do ponto de vista emocional. A proteção está em reconhecer os padrões e estabelecer fronteiras claras.
OMS esclarece
✅ A Organização Mundial da Saúde classifica o quadro como Transtorno de Personalidade Dissocial (CID‑10 F60.2), marcado por desprezo pelas regras sociais e incapacidade de aprender com punições. A matéria também destaca que o psicopata não é necessariamente um criminoso violento, embora possa apresentar comportamentos agressivos quando contrariado. Vide Portal de Psicologia.
O sentido etimológico aponta a psicopatia como doença mental, entende-se que ela corresponde a um transtorno de personalidade, no entanto, muitos estudos demonstram que o seu cérebro nasce assim, que isso não é fruto do aprendizado, que essas pessoas não têm condições para uma vida social sadia.
Convivência não significa relação saudável
A psicopatia envolve traços como:
- falta de empatia
- ausência de culpa
- manipulação
- mentira instrumental
- impulsividade
- frieza emocional
Esses padrões tornam a convivência emocionalmente desgastante para quem está por perto.
O risco maior
A convivência tende a seguir um padrão:
- No início, encantamento
- Depois, controle e manipulação
- Por fim, desgaste emocional, confusão e sensação de culpa em quem convive
Psicopatas não estabelecem vínculos afetivos profundos. Eles estabelecem usos.
A psicopatia não é “maldade pura”, mas um transtorno de personalidade caracterizado por padrões persistentes de comportamento que se desviam das normas sociais. A psicopatia envolve falta de empatia, ausência de culpa, impulsividade, manipulação e frieza emocional, características descritas por estudiosos desde o século XIX.
A ideia de “doença do mal” mostra que a psicopatia é um modo de ser, um padrão rígido de funcionamento emocional e social, e não uma doença curável.
O psicopata é sempre criminoso e serial killer?
Como reconhecer um psicopata?
É possível conviver com um psicopata?
É possível conviver com um psicopata, mas é importante entender como isso acontece e a que custo. Muita gente convive sem saber. Mas dificilmente é seguro emocionalmente ou recíproco.
A convivência só se torna menos danosa quando:
- há limites muito claros
- existe distância emocional
- a pessoa não depende afetivamente do psicopata
- há consciência dos padrões manipulativos
No momento em que o país observa o quanto a sociopatia está presente em nosso cotidiano, na política e nas relações sociais, é importante conhecermos como essas pessoas funcionam, se uma terapia é possível, como agir para nos protegermos.
O que diz o especialista
Vicente Garrido, renomado psicólogo criminalista ressalta que o critério de inclusão universal que qualifica um sujeito de doente mental baseia-se na correção do raciocínio e no contato que ele tem com a realidade. O psicopata, diferentemente do que ocorre com quem tem transtornos mentais, não apresenta qualquer sintoma. Ele tem a exata percepção do mundo e da realidade e visa sempre satisfazer suas pretensões pessoais. Ele sabe exatamente o que ocorre ao seu redor e o que almeja. É inteligente a ponto de articular os melhores planos para atingir seus objetivos.
O psiquiatra argentino Hugo Marietan descreve a psicopatia como uma forma de ser no mundo que aparece em qualquer classe social e em qualquer condição familiar. A psicopatia é, portanto, uma forma de o indivíduo se portar na sociedade.
Na lição do psiquiatra e pesquisador canadense Robert D. Hare, as características de um psicopata são evidenciadas de acordo com seus sentimentos em relação ao próximo e ao seu estilo de vida. Eles não expressam o que sentem em relação a terceiros, já que são desprovidos de sentimentos e emoções. Eles não têm empatia, pois nunca são capazes de experimentar os sentimentos humanos mais genuínos. Sua demonstração de afeto é mera encenação. Desde muito cedo, observam como os demais reagem a certas situações e as copiam como forma estratégica de sobrevivência para alcançarem seus objetivos.
Por vezes, seus planos são muito bem articulados antes de serem colocados em prática. Têm habilidade de articular bem as palavras e, com seu poder de persuasão, inventam estórias mirabolantes. Além disso, não sofrem qualquer sentimento de culpa ou remorso pelos atos devastadores provocados. Tudo faz parte de meticuloso plano, farão o que for preciso sem qualquer sentimento acusador de culpa.
Comportamento Social
Os psicopatas também têm uma visão supervalorizada de si. Acreditam ser a pessoa mais importante do mundo e, por esta razão, criam suas próprias normas. Tal característica não significa desconhecerem as regras que regem a sociedade (normas sociais e jurídicas), contudo, entendem que as suas regras são mais convenientes e adequadas à sua convivência e aos seus intentos.
No tocante ao seu estilo de vida, são impulsivos, possuem autocontrole deficiente, são irresponsáveis e sentem a necessidade de uma contínua excitação.
Um psicopata já nasce psicopata.
Ninguém se torna psicopata ao longo dos anos. Os seus atos antissociais podem ser observados desde a infância como, por exemplo: divertimento com o sofrimento alheio, constantes mentiras para se safarem de punições, prática de pequenos roubos e furtos, fugas do lar e da escola, uso de substâncias ilícitas, prática de violência, provocação de incêndios e vandalismo, sexualidade precoce e arrogância no modo de agir, falar e se vestir. No ambiente doméstico, apresentam condutas desafiadoras e agressivas em relação aos familiares e animais.
Importante mencionarmos que o psicopata não é, necessariamente, um criminoso ou um serial killer. Assim como existe muitos (não psicopatas) que se prestam à vida criminosa apenas influenciados pelo ambiente social, há psicopatas que agem imoralmente sem violarem qualquer norma jurídica.
Causa originária da Psicopatia
Descobrir o que provoca a psicopatia em um indivíduo ainda é uma questão muito discutida. São fortes os indícios de haver correlação entre a tendência para a prática de comportamentos ilícitos e algumas deficiências cerebrais. (…)”
“É preciso estar atento aos que nos cercam. Um psicopata é capaz de, sem perceber, entrar na sua vida, devastá-la sem qualquer pudor ou remorso e sumir ao encalço da próxima vítima.”
“Uma sociedade desinformada continua a ser o maior aliado de um psicopata. Ainda se tem a falsa ideia de que todo psicopata vive em ambientes socialmente marginalizados, que são emocionalmente desequilibrados e que possuem comportamentos aversivos todo o tempo. O que se desconhece é que um psicopata pode conviver em um ambiente familiar saudável, ter recebido boa educação, formado uma família, ser financeiramente estável, falar diversas línguas e ocupar importantes posições no mercado de trabalho (no setor privado ou público), na política, na mídia…”
“Um psicopata é e será sempre psicopata. Sempre provocará estragos em qualquer ambiente, devastará a vida de pessoas, usará tudo para alcançar o que quer e desafiará as leis (morais, legais e/ou administrativas). Mas não podemos esquecer que o psicopata é um ser humano como outro qualquer.”
(1) Michele O. de Abreu é advogada, escritora e docente. Esta matéria baseia-se em seu artigo na revista O Cuidador – edição 33, com referências bibliográficas e dados de seu livro, onde relata seu trabalho de pesquisa.
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